Portugueses gostavam de manter o teletrabalho

  • Portugueses sentem-se satisfeitos com a adoção do teletrabalho
  • 42% dos inquiridos avalia positivamente o apoio da sua chefia

 

Perante um cenário de confinamento, milhares de portugueses viram a sua rotina mudar, com a adoção de um regime de teletrabalho em larga escala por parte das empresas. De acordo com o Observatório de Tendências, um survey desenvolvido pelo Grupo Ageas Portugal e a Eurogroup Consulting Portugal, e que teve como propósito identificar as tendências emergentes do contexto de pandemia da COVID-19, 77% dos portugueses revelam-se satisfeitos com a forma como a sua empresa se ajustou ao teletrabalho. Menos de 10% admitem que a empresa poderia ter feito melhor, sendo os mais novos os que expressaram mais esta opinião.

Quando questionados sobre o apoio recebido por parte da chefia direta durante este período, 42% dos inquiridos avalia positivamente os seus líderes (21,4% bom e 21% muito bom). Apenas 10% dos inquiridos consideraram insuficiente este apoio. Inquiridos da América do Sul mostraram estar de forma geral mais satisfeitos com o desempenho das suas chefias diretas, com 36% a dar nota Muito Bom.

“Em relação ao teletrabalho, o desafio ainda continua a ser confiar nas pessoas, e perceber que não temos que controlar o número de horas presentes no escritório, mas temos que controlar cada vez mais os resultados. As chefias são a chave para que o teletrabalho funcione ou não” refere Hélder Figueiredo, Diretor de Recursos Humanos Grupo Trivalor SGPS, SA, no evento de lançamento do Observatório de Tendências. “Outro dos grandes desafios passa também pelo equilíbrio entre o presencial e o digital, para que não haja uma saturação dos formatos online.”

Confrontados com a experiência do teletrabalho, a apreciação dos inquiridos é relativamente boa, com uma média geral de 2,9 (entre 1 e 4). O fator idade, neste campo, demonstra algumas variações, com os mais jovens a ter uma opinião mais positiva (entre 18 a 24 anos: 3,60; 25-34: 3,08) do que os mais velhos (+55: 2,76). Curiosamente, trabalhadores por conta própria são menos adeptos do teletrabalho, refletindo a necessidade de interação e socialização.

Em linha com a avaliação dos colaboradores, os gestores de equipa dizem-se confortáveis no seu papel de líderes nestes tempos (média de 2,99 entre 1 e 4).

 

Principais dificuldades observadas durante o teletrabalho

Apesar dos meios tecnológicos disponíveis, a ausência de contacto físico/presencial foi apontada como a principal dificuldade observada, tendo sido particularmente verdade para inquiridos mais seniores. A gestão da vida familiar foi a segunda maior dificuldade observada, criando mais obstáculos do que a tecnologia, com a qual a média dos inquiridos se sente confortável, confirmando a subida do nível de "literacia digital" da população. Os mais novos apontam também a queda de produtividade.

Catarina Tendeiro, Diretora de Recursos Humanos do Grupo Ageas Portugal, acrescenta “Claramente que, desde março, a pandemia impôs sérios sacrifícios e necessidade de agilidade a empresas e Colaboradores. Neste período foi também mais necessário estar ainda mais atento a cada uma das nossas pessoas. Olhar pela saúde mental de cada um, e ser um facilitador no meio da adversidade, garantir que o negócio continuava a pensar e a preparar as pessoas para esse futuro. É importante estar atento ao presente, mas manter sempre um olhar no dia de amanhã, pois só assim nos conseguimos adaptar melhor a novas circunstâncias.”

 

Como gostariam de trabalhar num futuro próximo?

Cerca de 62% dos inquiridos admite que gostaria de trabalhar a partir de casa, optando a maioria (cerca de 51%) por um modelo misto:  29% entre 50 a 99% do tempo em teletrabalho, e 22% com menos de 50% em teletrabalho. Os restantes inquiridos (38%) referem que não gostariam de trabalhar a partir de casa no futuro, notando-se uma ligeira resistência nas idades mais avançadas.

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